domingo, outubro 09, 2005

MINHA IRMÃ "ZEN"

Hoje voltei de uma breve viagem à minha terra natal, pra onde fui com a finalidade de buscar minha "Santa Mãezinha", que não perde um evento importante da família, a fim de participar das cerimônias de formatura de um dos meus sobrinhos em "Ciência da Computação", que ocorre nesta semana, aqui em Recife, pela UFPE. Minha companheira de viagem foi uma das minhas irmãs (a mais "zen" da família), para quem tudo está muito bem, desde que ela não tenha que "quebrar cabeça" pra assimilar.
Essa minha irmã tem sido protagonista de situações tão hilárias, dado o seu desligamento, que nos faz transbordar de rir. Uma delas aconteceu nesta supracitada viagem: Em conversa com uma terceira irmã (como vocês já sabem, a prole é grande), ela me saiu com essa: "Quando você for lá em Recife, a gente vai assistir a esse filme que está em cartaz, " OS DOIS IRMÃOS DE SEVERINO". Claro que ela estava se referindo à história dos irmãos Camargo, "OS DOIS FILHOS DE FRANCISCO". Foi dái que comecei a repassar alguns dos episódios inverossímeis que vivenciei com ela.
Numa das vezes em que estive em Caruaru, ao estacionar na principal avenida da cidade, fui surpreendida pela exclamação de alguém que passou rapidamente, ao volante de um carro, gritando o meu nome completo: "REGINA CÉLIA SIMÕES!"... Imediatamente reconhecí aquele meu antigo colega, que eu já não via há anos, a cujo chamado respondí, incontinentemente": T... C...R! (naturalmente, pra devolver a gentileza de ter lembrado do meu nome, citei o seu, na íntegra). Quase caí dura quando aquela minha desligada irmã me perguntou: " Esse é aquele teu amigo, que morreu assassinado?" Eu falei: "Não, né? Como pode ser o mesmo?" E ela insistiu: "Ô, Regina, tu não estás lembrada, mas eu sim" Lembro que choraste copiosamente pela morte desse rapaz". Deu um trabalhão convencê-la de que jamais poderia se tratar da mesma pessoa, pois "as almas do purgatório" NUNCA poderiam estar passeando de carro, ao meio-dia, em plena avenida!
Outra dela: No encerramento do Carnaval/2005 do Recife Antigo, a apoteose foi o show de Alceu Valença. Tendo vindo embora mais cedo, não assistí à sua apresentação. No dia seguinte, ela me ligou pra falar de como tinha sido espetacular aquele show; da emoção que a multidão sentiu quando Alceu abriu o show cantando o Hino de Pernambuco. Palavras dela: Quando Alceu começou a cantar: "Ouviram do Ipiranga às margens plácidas ..." a galera foi ao delírio!
Eu retruquei: "Mas ele não cantou o hino de Pernambuco?! E ela: "Ah, sim, eu confundí"... Estas são só duas das história que envolvem a alienação dessa minha irmã.
Vocês podem não acreditar, mas, em plena época da repressão, nos fatídicos primórdios da Ditadura Militar, ela foi parar no DOI-CODI pra responder por quê havia assinado uma lista de solidariedade a um colega de trabalho preso por subversão! Mas não pensem que havia naquela cabecinha oca qualquer temor, ou que a sua assinatura naquela lista foi aposta por consciência política . NÃO! Ao ser inquirida, a única coisa que a preocupava era o fato de que o seu salário do mês havia sido suspenso e, PASMEM! Segundo a própria, uma vez que era novata na repartição, os colegas a convenceram a assinar, sob o argumento de que aquele sujeito tinha sido injustiçado e precisava da solidariedade dos amigos (o que não deixava de ser uma verdade absoluta!). O fato é que o militar que a inquiriu percebeu tão claramente a sua inocência, que a dispensaram da punição. É mole?