sexta-feira, setembro 30, 2005

ESCLARECIMENTOS

Há muito devo um esclarecimento aos que me visitam com frequência e só hoje me ocorreu fazê-lo, pedindo as devidas desculpas pelo atraso. Negó seguin: Como sou, ainda, um embrião de blogueira, não tenho pleno domínio de todos os trâmites necessários a uma boa performance, como, por exemplo: ainda não aprendí a postar imagens (nem como procurá-las); não sei colocar fotos (todas as minhas tentativas foram frustradas) e, tampouco, responder aos comentários que os meus gentís visitantes postam; Ou seja, depois que a minha gurua, Lilith, me presenteou este blog, somente aprendí a postar as baboseiras que tenho escrito aqui. Portanto, não pensem que estou sendo indelicada quando não posto as respostas, pois é pura ignorância, mesmo!
Mas não há de ser nada... o dia 30 de outubro tá chegando e, com ele, a Lilith, de volta à terrinha e aí, sim, vou "alugá-la" aqui em casa, até que ela me torne uma expert no assunto, ok?


REFLEXÕES

Hoje tô meio "down"... Recebí a notícia de que um ex-amor (talvez o único, não sei) tá na UTI, tentando se recuperar de um infarto cardíaco e a expectativa de melhoras não é muito promissora ... isso me fez refletir sobre a nossa história e imaginar como teria sido se nós não fôssemos tão jovens, à época, e não tivéssemos sido tão turrões um com o outro. Acho que esse meu estado de espírito tem a ver com recentes declarações que ele andou fazendo a familiares meus de como foi apaixonado por mim, coisa que eu ignorava até então...mas, também, vamos e convenhamos: Um sujeito que guarda por mais de quarenta anos um segredo desses, tá construindo o quê? Ele tinha mais era que ter dito isso pra mim, a principal interessada, né não?
E pensar no quanto eu sonhei ouvir isso, naquele tempo! Gostaria que ele tivesse noção do mal que causou a nós dois, com a sua fingida indiferença ...não, peraí! ... o cara tá às portas da morte e, se ele sabe, agora, que era correpondido ... vai "bater as botas" de uma vez por todas ... melhor não! Deixa assim. O mal já foi feito, mesmo, e nada vai mudar os nossos destinos ... até porque eu crescí, perdí a inocência e com ela se foi também a minha credibilidade no amor puro e verdadeiro. A irreversibilidade do tempo serve pra isso: faz-nos acordar dos sonhos e viver a realidade da forma menos dolorosa possível.
Agora, só vai citando o Mestre, Chico Buarque de Holanda:
"Tinha cá pra mim que vivia, enfim, o Grande Amor - Mentira!"

Hoje eu tô assim ... desculpem o desabafo e o tom um tanto rude, fugindo diametralmente da minha proposta inicial, que seria o Riso e a Alegria. Foi mal!

quinta-feira, setembro 29, 2005

Dr. "X"...

Dia de reunião festiva na Associação Comercial da minha terra, onde eu era secretária. A imprensa falada e escrita estava presente, pois o convidado de honra era um psicopediatra famoso na região, que faria uma palestra esclarecedora a respeito da psicologia moderna aplicável à pedagogia infantil, revolucionária naqueles idos dos anos setenta, de tantos tabus. Quando tínhamos um convidado ilustre, costumávamos gravar a reunião para melhor discorrermos sobre o assunto específico quando da elaboração da ata. Muito bem! Tudo engrenado, auditório repleto de representantes das classes produtoras regionais, uma rádio local transmitindo ao vivo os ensinamentos daquele profissional para mães e pais atentos ... Após as apresentações de praxe, o palestrante começa o seu discurso...
Num dado momento, ele fala sobre o tabu que os nossos pais nos haviam imposto em relação à nossa sexualidade, quando não nos permitiam, sequer, tirar a roupa na presença de um irmãozinho de outro sexo, dizendo que aquilo era feio e imoral, atitude essa que, ao contrário do que eles pretendiam, apenas haviam servido para aguçar ainda mais a nossa curiosidade em verificar as diferenças, ao passo que, se houvéssemos sido acostumados a lidar com elas, a nossa geração teria sido beneficiada com uma visão mais realística, mais natural, da anatomia, sem culpas, sem preconceito, etc... e tal...

Ocorre que dentre os associados havia um juiz de uma comarca da circunvizinhança, que só dava o ar da sua graça quando as reuniões atraíam a mídia, como era o caso, com a presença de alguma personalidade proeminente, ocasiões essas em que, via de regra, aquele juiz sempre pedia um aparte ao palestrante, numa tentativa inequívoca de chamar a si as atenções da platéia.
Foi exatamente o que aconteceu nesse dia: Na hora em que o pediatra falou sobre as diferenças anatômicas do sexo das crianças, sugerindo, por exemplo, que os pais deviam permitir que os seus filhos pequenos tomassem banho juntos, mesmo meninos e meninas, o Doutor Juiz levantou-se, pediu o fatídico aparte e pôs-se a exemplificar: "É isso mesmo, Doutor! O senhor tava falando sobre isso e eu me lembrei de uma ocasião em que, na minha fazenda, uma moradora estava lavando roupa no rio, enquanto os filhos brincavam na água; foi aí que a menininha tirou a roupa na frente do irmãozinho ... Quando o menino viu a ... a ... a ... a ..."
(Pensem num momento constrangedor! ... O auditório em silêncio, todos de olho no aparteante, e ele lá, gaguejando, tentando se lembrar do nome científico da genitália feminina ... e o nome não saía, não saía ...) Até que ele, não menos constrangido que os demais, eu diria, até, desesperado pelo vexame de não ter lembrado do termo ... soltou: ... "a ... a... A XOXOTA!"

Claro que ninguém conseguiu ficar sério e as gargalhadas se sucederam durante alguns minutos (inclusive a do palestrante), até que todos se recompusessem desse momento traumático. Resultado: até hoje, o pobre infeliz juiz é conhecido na região como "Dr. Xoxota" ... KKKKKKKKKKKKKKKKKK!
E o pior: Sua fala está lá, gravada, nos anais da Associação, sem contar com a transmissão, ao vivo, que serviu ainda mais pra torná-lo famoso.

É isso aí ... histórias que a vida conta ... e que eu não deixo passar!

quarta-feira, setembro 28, 2005

MÔNICA, A INOCENTE

Começo meu post pedindo desculpas pela ausência, mas é que houve um "barato" com o meu blog e eu não estava conseguindo ativá-lo. Não só não publicou o que eu havia postado, como não me deixava acessar os coments no haloscan, razão porque estive em falha com os meus 4 ou 5 assíduos queridos visitantes. Foi mal!

Hoje lembrei de Mônica, uma menina de rua que conhecí pedindo esmola na minha porta e que se tornou tão assídua, que acabei por contratá-la pra babá, num momento de desespero e de absoluta emergência, quando a labuta diária exigia minha assiduidade ao trabalho e os deveres de mãe me obrigavam a providenciar alguém pra me substituir na guarda do filhote, ainda muito pequeno pra ficar sozinho, quando a antiga babá foi embora sem aviso. Pois bem, foi assim que Mônica entrou na nossa vida e "marcou presença", pois se revelou uma pessoa responsável, fiel e amiga (hoje sou madrinha do seu filho).

Era uma menina de 15 anos, com aparência de 10; subnutrida, analfabeta e sem a menor noção de religião ou qualquer outra orientação na vida. Claro que eu cuidei logo em alfabetizá-la e iniciar o processo de interação dela com um mundo menos desumano e tratando-a como uma pessoa digna de respeito e atenção como qualquer outra, estabelecendo, assim, um relacionamento bem diferenciado do convencional patroa-empregada, o que a fez apegar-se muito a mim e à minha família.
Bom, isso foi uma introdução pra traçar um perfil aproximado de Mônica, cuja inocência e despreparo nos comovia e surpreendia diuturnamente, a ponto de tornar-se, pra mim, um valioso acervo de histórias envolvendo as mais hilárias inacreditáveis situações. Esta é uma delas:
Numa das vezes em que foi apanhar meu filho no colégio, instituição católica tradicional aqui de Recife, aonde, todas as tarde, havia a celebração de uma missa pelo capelão, ela me veio com essa:
- D. Regina, hoje eu assistí a uma missa! (com ar de quem tinha feito a coisa mais importante da vida).
Eu, que vez em quando tentava lhe passar alguma noção da existência de Deus, perguntei:
- Ah, é? E então, o que é que você achou?
- Ai, eu gostei muito do padre ... ele é tão legal! Mesmo sem me conhecer, quando ele me viu me chamou pra frente e me deu uma bolachinha ...
Eu quase caí dura!
- E o que foi que você fez com essa bolachinha???!
- Ah! Eu mastiguei, mastiguei, mas não tinha gosto de nada ... só não cuspí porque fiquei com vergonha, já que o padre tinha sido tão bonzinho, né?
Daí eu falei pra ela:
- Mônica! Aquilo não é uma bolachinha, nem era pra você mastigar! É o corpo de Cristo e a pessoa deve engolir sem mastigar, menina! - E ela, com a maior cara de remorso:
- Ô meu Deus! E agora? ... Será que doeu, no bichinho?!
Claro que eu tentei explicar que não era o corpo físico do Criador que estava alí, e tal, mas já era tarde demais ... bem mais tarde é que eu fui dimensionar o mal que havia causado àquela inocente criatura, pois ela me surpreendeu, altas horas da madrugada: Com o colchão e o travesseiro na mão, adentrou o meu quarto, me acordando em sussurros:
- Dona Regina, eu posso botar meu colchão aqui no seu quarto? Tô com medo de dormir sozinha!"
- Que novidade é essa, Mônica? Você nunca teve medo de dormir só!
- É porque eu tô com medo do Satanás!
- O Quê?!!! Aqui, na minha casa, não tem disso não, filha!
- Eu sei ... mas é porque eu mordí Jesus e ele pode vir me atentar, né?

Vocês podem me chamar de insensível, mas eu não resistí à gargalhada que irrompeu repentinamente de mim. Pode alguém ser assim tão ingênua?
Pois Mônica era... e essa é apenas uma das muitas histórias que eu tenho dela. Oportunamente, contarei mais.

Bom dia!