domingo, novembro 13, 2005

MULHERES ... COMO ENTENDÊ-LAS?

Vá entender as mulheres ...

Há muito tento entender o que se passa nas cabeças das mulheres. Por que será que a maioria delas perde completamente a noção de dignidade, amor-próprio, auto-estima, ou seja lá o que isso for, pra ter consigo um homem, não importando quem seja o cara?

Conheço algumas que mereciam ser objeto de estudo, tais as situações ridículas e absolutamente incompreensíveis ao meu parco entendimento às quais se expõem para preservarem consigo o "privilégio" de uma companhia masculina, quase sempre sem qualquer reciprocidade de interesses.
Nada tenho contra a relação homem-mulher, muito pelo contrário! Sou mulher e adoro sê-lo; gosto muito de homem, mas ainda considero que a recíproca tem que ser verdadeira. Jamais estive com um homem só pra não estar sozinha, porque "eu me amo, me adoro e não consigo viver sem mim", como diz a canção popular. Ainda me dou ao luxo de ser qualitativa, embora, na minha idade, a tendência seja o quantitativo ... talvez, por isso, não tenho ninguém, é certo, mas o bom é que mesmo assim me sinto inteira e bem resolvida, já que a essa altura do campeonato as "mancadas" seriam imperdoáveis e eu não me permitiria mais arriscá-las ... nem pensar! Imaginem eu, uma vovó, sofrendo desilusões amorosas ...(que, certamente, viriam) patético!

Mas cá estou eu tergiversando, só pra falar sobre um assunto que tem me deixado "encafifada", como se diz por aqui. Negó seguin:

Ví uma reportagem num desses programas televisivos sobre uma reivindicação que está fazendo um sujeito abominável, um monstro, um ser absolutamente desprezível, que não é outro senão o tragicamente famoso "Maníaco do Parque" ... aquele que torturou, estuprou, matou e até comeu (no sentido lato) partes dos corpos de nada mais, nada menos que 11 (onze!) mulheres. Pois essa pústula está tentando conseguir da justiça(?) o direito de ter "encontros íntimos" na prisão com uma vagabunda com quem se casou por procuração. E sabem por quê? Porque ele quer ter filhos, pasmem, senhores!!!

Daí veio a notícia que me deixou assim, revoltada: Esse sujeito não só recebe cartas de mulheres que se dizem apaixonadas por ele, na prisão, como até casou com uma delas! Mas aí vem a bomba: A infeliz tem 60 (sessenta!) anos e está disposta a se submeter a tratamentos mil para dar a ele a alegria e a felicidade de procriar ... Pooooooooooooooooooooooode???

Alguém pode me explicar o que se passa na cabeça dessa mulher?
Alguém, por mais humano e benevolente que seja, pode concordar com a idéia de que um animal desses venha a ter o sagrado direito de ser pai?
E às mulheres, jovens e cheias de saúde que ele matou, foi dado esse direito?
Que nível de carência pode levar uma criatura a querer manter relações com um ser abjeto desses?
Não! Definitivamente, eu ME NEGO a ser complacente com essa vadia! Não há NADA que ela argumente que venha a me convencer de que essa vagabunda tenha qualquer razão. Senão, vejamos:
Nunca houve convivência entre eles, porque somente se conheceram através de correspondências;
Não pode ser carência, porque esta jamais será satisfeita, já que o desgraçado está condenado a mais de 40 anos e, portanto, quando sair, SE sair, ela já deverá ter passado desta pra melhor (com a graça de Deus! - já vai tarde!);
Uma vez que os seus crimes são considerados hediondos, ele não tem o direito às visitas íntimas ... no máximo, quem sabe, pode aparecer um daqueles detentos do tipo "Trivelatto" que lhe faça a caridade (de preferência, de forma mortal) e, aí, sim, a justiça será feita!!!

Pois é, gente ... pode alguém entender as razões dessa vadia (nem vou chamar de mulher, pra não desonrar ainda mais o nosso gênero)?

O pior é que nada nos assegura que esse direito lhe será negado, já que o nosso Judiciário, como os outros dois poderes, não é confiável. Taí a realidade, que não nos permite sonhar com justiça:
Suzane Richentofen(é assim que se escreve o nome daquela vaca?) e os irmãos Cravinhos, assassina intelectual e executores dos pais dela, estão em liberdade;

Ao juiz federal cearense, que matou um vigilante num supermercado em Fortaleza, ao vivo e a cores flagrado por uma câmara de vídeo, porque este, cumprindo o seu dever, ousou querer proibí-lo de adentrar a loja depois do expediente encerrado, foi concedida uma gorda aposentadoria;

Guilherme de Pádua e a sua dileta esposa, matadores da atriz Daniela Perez, estão livres e isentos de qualquer mácula após alguns poucos anos de prisão;

Paulo Maluf e seu filhinho querido estão no recesso do seu lar, dando risadas e usufruindo do nosso rico dinheirinho (pra eles), depositado em bancos no exterior ...

São tantos os exemplos que tem dado a nossa "justiça", segundo a qual cada brasileiro tem o direito legal de tirar pelo menos uma vida (V.Lei Fleury), que não me surpreenderá a eventual notícia de que o "Maníaco do Parque" venha a ser bem sucedido no seu intento.

Lamentavelmente ...

quarta-feira, novembro 02, 2005

HOMENAGEM AOS FINADOS

Sem inspiração para discorrer sobre qualquer assunto, deixo aqui a minha homenagem aos nossos entes queridos que já partiram, utilizando-me de um poema do incomparável Pablo Neruda:


SAUDADE

"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,mas o amado já ...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida ...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais ...
Saudade é o inferno dos que perderam,é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam ...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter porquem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido ..."

Neruda

terça-feira, novembro 01, 2005

MAIS UMA DE MÔNICA

Alguns aqui já conhecem Mônica, minha ex-assistente doméstica que era, à época em que convivemos (há muito não tenho notícias suas), o protótipo da inocência e do despreparo em matéria de vida social. Apesar disso, tinha uma disposição imensa para o aprendizado e estava sempre me questionando a respeito das coisas que não entendia. Enquanto morou comigo, protagonizou situações ora divertidas, ora emocionantes, as quais, vez em quando, vou relatar pra vocês. Numa delas, já contada aqui, ela mastigou a hóstia consagrada sem ter a menor idéia do que aquela "bolachinha" (palavra dela) pudesse vir a ser e se auto-flagelou semanas a fio, quando eu lhe expliquei do que se tratava; pois bem, esta história aqui não é menos bizarra, posso lhes assegurar:

Na época do vídeo-cassete eu costumava locar filmes diariamente e Mônica sempre me fazia companhia, embora não entendesse patavina do que estava assistindo porque, segundo ela, não compreendia como é que eu conseguia entender o que "aqueles hômi falava". Obviamente, o áudio em inglês tornava impossível pra ela acompanhar o desenrolar das tramas. Foi então que eu lhe expliquei que somente através da leitura das legendas isso seria possível e que o fato de ser analfabeta a descredenciava dessa façanha, aproveitando, também, para lhe fazer entender a importância de saber ler. Observando, porém, que ela continuava muito confusa, usei esta expressão: "Tá vendo essas letrinhas aí, na tela? Pois eu só entendo o que eles falam porque as leio e, como você ainda não sabe ler, não pode interpretá-las, compreendeu?" Pronto. Santo remédio pra que ela nunca mais voltasse a me questionar a respeito.

Nas férias de l988, minha irmã e eu resolvemos ir veranear numa praia próxima a Maceió, junto com nossos filhos, e, é claro, as respectivas babás (que ninguém é de ferro!). Ficamos num condomínio fechado aonde havia muitos turistas estrangeiros e lá um dia, quando almoçávamos no restaurante do balneário, observei que Mônica não conseguia se concentrar na refeição, interessada que estava em ouvir atentamente a conversação dos nossos vizinhos de mesa. Como já estava dando a maior bandeira (porque ela estava, literal e inconvenientemente, com o ouvido colado na boca de um cidadão muito distinto que havíamos conhecido o qual, na ocasião, hospedava uns amigos seus, americanos), repreendí-a, fazendo-lhe ver que aquela atitude era absolutamente intolerável, pela indiscrição de que se revestia. Foi aí que ela me saiu com essa:

- Ô, D. Regina, cuma é que Sêo Fulano (referindo-se ao nosso novo amigo) entende o que esses hômi tão dizeno? Detalhe: Mônica era gaga e isso me custou uns cinco minutos esperando o término da pergunta.
- É porque ele fala inglês, que é a língua dos seus hóspedes - respondí. E aí ela soltou esta "pérola":
- E ... e... e... (gaguejando) e cuma eu num tô veno as letrinha?!!!

Gente, a minha irmã ficou tão estarrecida com aquela pergunta, que começou a chorar de dó dela, tal a ingenuidade ali encerrada.

Claro que não deu pra rir, na hora, por uma questão de respeito à sua involuntária ignorância, mas que foi engraçado, lá isso foi!